Apostolado do Mar

Graciano Fernandes
Nos tempos mais remotos os transportes eram feitos por via marítima. Devido à distância que separava os diversos portos, e às más condições dos barcos, muitos dos que seguiam viagem chegavam doentes, até porque muitas vezes não tinham de comer nem beber. Atenta a estas dificuldades, a Igreja tinha no seu seio quem se dedicasse a apoiar física e espiritualmente os que chegavam aos portos. Na nossa terra, a Igreja do Espírito Santo dos Mareantes é sinal desses tempos.

Mais tarde, com o desaparecimento da irmandade que se ocupava destas coisas, surgiu o chamado “Apostolatus Maris” (Apostolado do Mar), apoiado pelo Papa. Continuava a ser necessário apoiar espiritual, física e materialmente todos os que faziam do mar o seu meio de sobrevivência. João Paulo II, na sua Carta Apostólica sobre o Apostolado do Mar, datada de 31 Janeiro 1997, diz: “A gente do mar desde há muito tempo apelidou de Stella Maris aquela que é a mãe de Jesus, a quem confia a sua família, o trabalho, as viagens no mar e até os próprios barcos”.

Assim a Mãe Igreja, atenta a todas as necessidades das pessoas, através deste Movimento tentou apoiar material e espiritualmente os que vinham de longe, e em muitos portos foram criadas casas chamadas “Stella Maris”, onde pernoitavam, se alimentavam e descansavam todos os que vinham de longe e necessitavam desses cuidados.

João Paulo II, na citada carta, menciona que o “Apostolado do Mar” não é exclusivamente de pescadores, mas de todos os que trabalham no mar, ou do mar, (portos, navios, lotas, desportos marítimos) e também as famílias destes trabalhadores, e em geral os que vivem à beira-mar, pois todos os que vivem nas praias “sabem entender a linguagem com sabor a sal”.

Todas as segundas sextas-feiras de cada mês, na Eucaristia das 18H30, evoca-se a Nossa Senhora Estrela do Mar, para que sempre proteja todos os pescadores, embarcações e suas famílias.