MEC - Ministros Extraordinários da Comunhão

Padre Vasco António da Cruz Gonçalves

Pessoas envolvidas:

Carlos Lopes
Manuela Viana
Manuel Fiúza
Querubim Painhas
Rolando Lopes
O ministro extraordinário da Comunhão (= MEC) deve distinguir-se pela coerência de vida cristã. Deverá viver em situação familiar regular e gozar da estima da comunidade. Com efeito, a primeira forma de anúncio e testemunho evangélico é a imagem que a própria pessoa dá. Antes da tarefa que realiza, o ministro deve começar por ser sinal. Não é coisa que se distribua, nem tarefa qualquer, nem função mundana para que seja visto. Com efeito, são Cristóforos, isto é, pessoas que levam Cristo aos irmãos. Pense bem, antes de aceitar a escolha e o pedido que o sacerdote, que preside à comunidade, lhe fez. O vaso deve espelhar o que transporta, o conteúdo deve transparecer no continente.

Esta adesão a Cristo tem para o MEC muitas valências. Que lugar tem, na sua vida, a oração, a piedade eucarística e a Missa? Que tempo dá à Igreja ao serviço da oração e da piedade eucarística dos fiéis? Que atenção eucarística e catequética dá às pessoas a quem leva a comunhão (com Cristo)? Que preocupação tem – particularmente hoje, com menos sacerdotes e mais igrejas fechadas –, em ter aberta, diariamente, a igreja da sua comunidade, para que os fiéis, recuperem a visita a Jesus ressuscitado, nos nossos sacrários?

Como se pode estabelecer comunhão, sem Cristo? Como pode estar em comunhão com Cristo, sem ter comunhão com a Igreja? Como pode alguém ser ministro da comunhão, se a própria comunidade o não aceita ou se, de qualquer modo, é tido como sinal de divisão ou a provoca na comunidade? Como poderá haver comunhão sem sacrifício de si mesmo, dos seus planos, dos seus interesses, das suas ideias, dos seus gostos ou caprichos, etc.? Nada se ponha acima de Cristo e acima da Eucaristia, porque, só assim, o resto advirá por acréscimo.

Por vezes, algumas pessoas de boa vontade, cuja fé e devoção não estão em causa, manifestam um ardente desejo de serem ministros extraordinários da comunhão. Alguns chegam até a perguntar: que é preciso para ser ministro extraordinário da comunhão? A primeira resposta será: «que seja preciso». Com efeito, tais pessoas deixam a impressão que ser ministro extraordinário da comunhão seria aceder a uma classe de cristãos, porventura, na melhor das hipóteses, a um grupo de perfeição. E, muito embora isso seja uma exigência de qualquer ministério ou serviço na Igreja, não basta, para o caso, apesar de tudo. Cabe ao Pároco, ao Reitor ou Capelão da igreja (porventura, se achar oportuno ou conveniente, ouvindo o conselho de pastoral paroquial) discernir se há uma verdadeira necessidade de novos MEC. A boa vontade de alguém e a sua disponibilidade são louváveis, ainda mais quando se dispõem para os serviços necessários numa comunidade, se porventura manifestam a aptidão e competência desejadas.

É verdade que a afluência de fiéis comungantes nas Eucaristias dominicais ou os numerosos impedidos de participar nelas (doentes, idosos, etc.) requerem este nobre serviço. Mas distribuir apenas a Eucaristia na Missa a que vai por preceito e dispensar-se de outras missas que haja na comunidade ou de levar a comunhão aos ausentes, não é assim grande encargo. Por isso, a escolha de um candidato deverá ter muito em conta o seu compromisso e a sua disponibilidade. Por outro lado, o(s) ministro(s) ordinário(s) – sacerdotes e diáconos – não poderão eximir-se de tão importante ministério que lhes pertence, em primeira linha.
(em actualização)

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